Levei um leitorzeco de mp3s para o deserto. Primeiro tinha pensado não levar música de todo, mas aquilo pesava tão pouco e arrumava-se tão bem que achei que, caso não fosse necessário, também não me incomodaria. Não levei sequer cem temas, uns foram escolhidos quase ao acaso, outros porque tinha de ser, tinham estado comigo outras vezes e era importante, se chegasse a ouvir música, perceber ao que sabiam fora dos contextos comuns. Quando os ouvi, muitos não fizeram sentido, outros ajustaram-se.
Lembro-me que Ali Farka Touré soava bonito mas supérfluo, que a “Inquietação” do José Mário Branco parecia desarrumada, e de ter ouvido o “Kommienezuspadt” do Tom Waits à noite e de ter pensado no magma por baixo das coisas visíveis, do vento à espera na quietude.
Não levei temas de R.E.M., mas também não choveu.
