“First they came for the Jews
and I did not speak out
because I was not a Jew.
Then they came for the Communists
and I did not speak out
because I was not a Communist.
Then they came for the trade unionists
and I did not speak out
because I was not a trade unionist.
Then they came for me
and there was no one left
to speak out for me.”
Pastor Martin Niemöller
Vem este poema a propósito da lei que pretende eliminar os partidos com menos de 5 mil militantes. A meu ver, esta lei tem como propósito evidente fazer com que esses partidos que expressam a opinião de milhares de pessoas deixem de ter voz e visibilidade nas campanhas eleitorais e não só.
O problema é que esses partidos não se representam só a si própios. Senão vejam-se os seus resultados eleitorais, todos eles têm mais de 5 mil votantes e deve ser este o número verdadeiramente relevante, não é o dos militantes. Ao eliminar estes partidos está-se a abafar a voz daqueles em quem se vota - e isto é INCONCEBÍVEL em democracia. Não foi para isto que se fez uma revolução em 1974.
Uma coisa que não entendo é de que têm medo os grandes partidos. Será que receiam que hoje as vozes minoritárias se tornem maioritárias no futuro e pretendem travar esse processo? Temerão perder paulatinamente influência sobre os eleitores devido à existência destes partidos? Temerão, em consequência, vir a perder o acesso ao poder e a todas as benesses que actualmente dele extraem? Serão assim tão assustadores os pequenos partidos?
Eu acho que são. Ora reparemos no contexto desta lei: ouvem-se a esmo nos cafés, no mercado, na cabeleireira, nas bichas de atendimento das repartições públicas, sinais de profundo descrédito dos portugueses em relação ao tipo de gente que os governa. Todos já percebemos que o rei vai nu e quase todos os que votamos temos que resistir à forte tentação da abstenção, pela inutilidade cada vez maior que vemos no nosso voto. Neste contexto, fácil é imaginar muitos do número crescente de abstencionistas decidirem que, em vez de ficarem em casa, devem é pôr a cruz num desses partidos minoritários que falam sem medo de desagradar à sua “base eleitoral” e que dizem tantas ves o que mais ninguém com microfone à frente tem coragem para dizer.
Para mim, o ideal era que todos esses partidos tivessem representação na assembleia da república (vai com minúscula e de propósito) de modo a que as vozes discordantes fossem ouvidas por tofdos, lado a lado com aquelas vozes cheias de retórica, hipócritas e ocas de sentido a que já estamos habituados.
Pelos vistos não podemos contar com a maioria dos partidos representados na a.r. para pensar melhor sobre este assunto. O PCP diz que não mostra lista de militantes nenhuns e que fica à espera das consequências. O Bloco de Esquerda não sei o que pensa. Fui agora espreitar ao sítio deles mas não vi referência nenhuma ao assunto, mas no linque que aí deixei sobre o PCP também se vê a opinião do Daniel Oliveira, que espero que reflicta a posição do BE. O PP está preocupado e pede ao sr. Cavaco uma leitura atenta da lei (estes são sempre de falinhas mansas…). O POUS e PCTP/MRPP estão a apelar à filiação de militantes. Deste último, encontrei uma declaração no tubo com a qual concordo na quase totalidade (até pus aqui o poema porque o sr. Garcia Pereira mo lembrou). E nós, o povo cujas possibilidades de representatividade política serão coarctadas. que faremos? Mudamos de canal? Vamos ao shopping embrutecer ainda mais? Vamos passear de carro, não é? Se assim for, temos de facto as leis e os políticos que merecemos.

Minha Amiga ( e escrevo com letra grande porque sim), não deixo de concordar contigo qunt ao facto de grande parte dos partidos mesmo com pequena expressão pública ( e qnd digo expressão é mesmo voz) não deixam de reflectir uma grande maioria, ou até às vezes uma minoria. Mas têm razão de existência.
Deves estar a pensar, pronto lá vem este com o seu cariz de solidariedade com os minoritários. Não, não é nada disso. Para mim a razão da existência de partidos minoritários que não devem ser extintos prende-se com a necessidade de dar voz, mesmo aos tenham uma “massa associativa” de pequena expressão.
Vou dar-te um exemplo acabado do que entendo por isso. Conheço um determinado sindicato com a profundidade necessária para poder saber do que falo, cuja função é defender os interesses de uma ENORME maioria de pessoas. Mas acontece que mt pouca gente se dá conta dos efeitos que esse sindicato pode ter junto da sua entidade patronal, se por detrás estiver a dita ENORME “massa associativa”. Esses efeitos poderiam ser suficientemente fortes, e benéficos se o ditgop sinficato tivesse maior voz, o que para isso teria que demostrar um nº suficientemente grande para fazer frente à sua entidade patronal, o que de facvto não acontece e acaba por representar apenas … 20% na melhor das hipoteses. os restantes que não têm qulquer vínculo comm esse sindicato, acabam por ser representados por quem? pela entidade patronal que assim fica com uma ENORME margem de manobra para “abafar” qualquer tentativa de reivindicação. No final da história, ninguém fica satisfeito porque acabou por nao ver os seus interesses como trbalhadior e até como pessoa reconhecidos.
Viva a entidade patronal que vence Sempre! Vivam os partidos de uma enorme maioria, porque afinal são sempre esses que ficam por cima.
Como se diz no casino, ” a casa ganha sempre”.
Loira, quando ontem ouvia as notícias sobre os pequenos partidos veio-me o seguinte à cabeça: porque não me filiar num desses pequenos partidos?
nunca fui filiado nem pretendo algum dia ser. mas neste caso e como forma de protesto ontem pensei seriamente neste assunto. pode não adiantar muito mas se mais o fizerem pode dar aos legisladores uma ideia do nosso descontentamento.
é que claro que na ficha de adesão deixaria implícito o porquê dessa adesão e que essa filiação não seria por muito tempo mas que apenas pretendia mostrar que estaria solidário com os pequenos partidos. e que se não fosse esse partido seria outro. fosse ele de esquerda ou de direita.
acho que vou fazer um post sobre isto.
Discordo quando dizes:
“Para mim, o ideal era que todos esses partidos tivessem representação na assembleia da república (vai com minúscula e de propósito) de modo a que as vozes discordantes fossem ouvidas por tofdos, lado a lado com aquelas vozes cheias de retórica, hipócritas e ocas de sentido a que já estamos habituados”
Já pensaste que tínhamos de levar com o PNR ou com o PPM? Para estes gajos sinceramente não tenho pachorra.
Um grande abraço e felicidades
Tempestade: ora aí está mais um excelente exemplo! E gostei da interpretação que deste ao facto de os não sindicalizados não terem quem os represente e portanto serem reperesentados , por exclusão de partes, precisamente pelos… patrões! Ironias da ausência de consciência política 8em sentido lato e não partidário).
Sérgio: eu também já pensei nisso…. Até estou firmemente tentada….
Berta: tens toda a razão!
O que eu hesitei ao escrever isso! E justamente pelas razões que apontas. É que para mim a liberdade política tem limites e partidos como o pnr nem deviam poder existir porque são anti-democráticos na sua génese e no seu discurso. Alguém que defende a superioridade racial e outros disparates do género não tem, em meu entender, direito a representação em democracia. Não advogo liberdade para todos, apenas para quem sabe e quer viver em liberdade e reconhece que os outros seres humanos têm os mesmos direitos que essa pessoa. Este é o limite da democracia. Beijinho, amiga.
Afinal o PPM até já está representado na assembleia da república devido àquela estranha coligação feita com o PSD. (lapso meu)
Tens toda a razão. Em democracia, qualquer grupo de pessoas tem o direito de se organizar politicamente através da criação de um partido (salvo aqueles que defendem valores que atentam contra as liberdades cívicas, é claro). O estado também deve fornecer a esses pequenos partidos financiamento e tempo de antena para garantir que haja um mínimo de igualdade entre todos. Se esta igualdade estiver assegurada a democracia funcionará melhor (desde que a representação na assembleia da república se mantenha proporcional à votação de cada partido).
Cumprimentos pelo teu contributo nesta importante discussão que tem andado ausente da blogosfera (vá lá perceber-se porquê).