Ah, sei lá, pensa cada um dos nossos governantes:
Colocar aquecimento em todas as escolas deste país? Contratar mais médicos? Subvencionar mais medicamentos? Pôr o Parque Nacional Peneda-Gerês a funcionar a sério? Promover a recuperação do património edificado público e privado? Colocar mais árvores e jardins nos espaços urbanos? Estimular o uso dos tranportes públicos em detrimento do carrinho a gasolina que tanto imposto traz ao Estado? Subsidiar a prática amadorística de desportos pelo maior número de pessaos? Apoiar escritores, músicos, actores?
Não, disse um deles (qual? não se sabe, esse é o tipo de coisas que em Portugal nunca se sabe, foi sempre o anterior responsável). “Vamos apoiar um condutor de carros da Fórmula 1. Esse, sim, é um desígnio nacional! É uma vergonha internacional não termos o nosso próprio motorista de Ferraris de corrida. Ainda por cima, essas equipas são tão pobrezinhas que, reconhecendo como o tipo conduz bem a 300 km por hora nas curvas, são incapazes de encontrar fundos para lhe pagarem. Ainda por cima, o rapaz JÁ ERA motorista desses carros, até já tinha participado em duas corridas!
Pode-se ler tudo sobre o desperdício destes dois milhões de euritos AQUI. O mais interessante da notícia é este singelo excerto:
“Para se manter nessa competição [Tiago Monteiro, o condutor de bólides] precisou do apoio do Governo português: foi esta a situação com que me deparei”, referiu [Laurentino Dias, secretário de Estado do Desporto] [Ou então] “Havia consequências jurídicas gravíssimas para o piloto, para a equipa, para os próprios patrocinadores que já se tinham envolvido no projecto e para a própria imagem do Estado português.”
E nós a queixarmo-nos de que o Estado não liga nenhuma aos problemas das pessoas. Liga sim, senhor. O piloto, a equipa do piloto e os patrocinadores dos pilotos não são poessoas? Ah, pois, que é que julgam.

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