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Archive for Outubro, 2007

Ella Fitzgerald

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Há sítios onde eu regressaria algumas vezes, a outros regressarei sempre que puder. Sempre a desejar mais um dia, muitos dias. Acordar e adormecer, não ser visita, ficar ou ter a ilusão de que fico. Por isso é que, tendo passado a infância a fazer férias na Galiza, com os meus pais, a dormir num sítio e a partir de manhãzinha para outro, só adulta, quando por fim pude adormecer e acordar e adormecer outra vez em Compostela, andar sem destino e sem pressa pelas calçadas de granito, sentar-me, porque sim, na praça da Quintana, senti que a cidade e eu nos pertencíamos.

O deserto era uma viagem a fazer, em mim, há muitos anos, desde da aventura do “Terra dos Homens” e dos outros livros de avião, com correio, sobre a areia, que Saint-Exupèry escreveu. Algumas páginas da Grande Reportagem depois, também. Havia razão mais antiga. Como sou alentejana, esperava encontrar no deserto aquilo em que pensava como “hiper-Alentejo”. Espaço. Muito espaço: o espaço exacto. A noite toda. O silêncio todo. O horizonte longe, redondo. Um “o que é que eu estou a fazer aqui?” a crescer dentro sem aviso, num segundo, sem resposta, grande e novo como na primeira consciência. O mundo.


Bruno Barbey

O desejo do deserto intensificou-se quando passei a viver em Lisboa. Lisboa é um amor furioso. Uma vez vista e vivida, nunca mais sai de nós. É azul, tem gaivotas, é decadente e bela, antiga e de todos os dias, é verde e luminosa sob as árvores. Mas eu estou sempre melhor onde há menos. E mais espaço, mais luz, um vento maior.

Isto para dizer que, quando por fim se começou, por cá, a falar numa ida ao Saara, eu não hesitei. E Marrocos, para mim, veio mais ou menos por arrasto. Podia ter sido a Tunísia ou a Namíbia. O Egipto. Desde que tivesse areia e fosse grande e eu tivesse a sensação de ficar. Fiquei. Agora, sempre que me quiser inteira, tenho de regressar. Agora, sim, a Marrocos. E já pode ter neve, o meu deserto. Na condição de haver tendas, chá, e pernas esgotadas ao fim do dia.


Bruno Barbey

[O hiper-Alentejo do Saara fica para outro dia.]

[Este era um post sobre R.E.M., que ando a ouvir furiosamente pela milésima admirável vez. Comecei nos hits, depois aventurei-me no “Murmur”, no “Reckoning”, no “Document”. Hoje tenho estado a ouvir o “Automatic for the People”, que é escuro e todo perfeito como um bairro antigo, onde os sons e os versos nos serviram de casa e de onde nos esquecemos de trazer tudo quando – não – continuámos. Ocorreu-me como revisitar a música é parecido com o regresso a um lugar onde se foi feliz. Um segundo depois, porque a música é o que me vai distraindo da falta do espaço elementar, estava no deserto.]

[Martes, aquele ali, a servir chá, não é A Mãe?]

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Dar e Receber

Há o “Trocatlon” (não linco porque é uma marca comercial que patrocina).

Na Re.Bag, trocam-se acessórios.

No Freecycle, dá-se tudo e recebe-se tudo. Em Portugal há grupos em Lisboa, Coimbra, Porto, Aveiro, Braga (que eu saiba).

No DadoTricla dá-se tudo o que se não precisa.

No DeBoleia, partilham-se boleias, poupa-se $$ e o ambiente.

Será que as mentalidades andam a mudar por cá? Parece que sim! 🙂

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Primeiro foi o Santana, agora o Zarkozy.

Será sinal de que os políticos vão deixar de ser os fiéis donos das opiniões que os jornais e televisões imprimem e passarão, em vez disso,  a exigir respeito e seriedade em vez de “fait-divers”? Não, acho que não. Podem lá os políticos viver sem isso.

Reformulando, será que os jornalistas vão meter a mão na consciência deontológica e perceber que andam para aí a fazer tristes figuras, que o comum dos mortais com coluna vertebral cora pelas coisas que dizem e fazem estes jornalistas  e que até os políticos lhes começam a puxar as orelhas?

Serão estes políticos detestáveis aqueles que vão recordar aos jornalistas o que o jornalismo é? Se não forem eles, que alguém seja. Este quarto poder está a funcionar muito mal.

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Durante as férias do Verão, percebi que a elementar felicidade e a elasticidade achincalhadora dos meus primos irmãos estava em perigo por causa de uma falha inconcebível – Monty Python. Sendo os rapazes três, não houve lugar a dúvidas quanto ao que fazer: neste Natal, três incomparáveis, inesquecíveis e fundamentais filmes, que lhes farão companhia até ao fim da vida, ser-lhes-ão entregues pelo Pai Natal (não tu, martes, o outro, o verdadeiro) em meu nome. «O Cálice Sagrado» e «O Sentido da Vida» foram relativamente fáceis de encontrar. Já a procura do DVD d’«A Vida de Brian» começava a exasperar-me, sendo certo que não tinha piada nenhuma falhar, precisamente, na oferta desse filme, que é o filme. Nas lojas tradicionais não encontrava e as lojas online – portuguesas – que têm o filme, pediam-me invariavelmente dados pessoais a mais para o registo. Lembrei-me então da Amazon. E acabo de descobrir – e de pré-encomendar sem pestanejar – que dia 5 de Novembro está previsto o lançamento de uma imaculada edição do filme, com legendas para praticamente o mundo inteiro.

Agora, sim, estou tranquila. Mas, pergunto-me, que país é este em que nas lojas não se põe em promoção e em destaque, logo no princípio de Outubro (que, como se sabe, é o primeiro mês do Natal comercial), o mais perfeito filme de Natal à face da Terra? Não seriam as famílias mais felizes e unidas caso se desenvolvesse a tradição de ver e rever «A Vida de Brian» durante a consoada?

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A tribute to 40’s & 50’s

No embalo do fantástico Gleen Miller, bem escolhido, deixo aqui um tributo.

À Vida

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“American Patrol”, de Glenn Miller. Mais gira-discos aqui.

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