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Archive for Janeiro, 2008

Compreendo-te, mas a mim o que me bole com os nervos é saber que nunca poderei ir a todos os sítios que desejava conhecer. É que tenho a impressão (muito infantil, eu sei) de que o mundo só existe se eu lá tiver posto os pés mesmo, até esse momento é como se os lugares fossem pouco mais do que uma ficção lida. Não há nada que substitua o poder experienciar um lugar. Nada, nem fotografias, nem descrições minuciosas. Quanto melhores as descrições e as fotografioas, mais vontade tenho de apanhar o próximo vapor e ir, por exemplo, ao Butão.

Pior, quando vou aos sítios e gosto mesmo deles, gostava de lá poder voltar muitas vezes. Fico, em relação a alguns espaços, em estado de paixão latente: tenho saudades deles e apetece-me revê-los. E logo a seguir voltar para casa, claro.

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O Mundo Diplomático

 «Não há dinheiro para os salários» (François Ruffin) – Le Monde Diplomatique, ed. Janeiro

Porque, afinal, não é o trabalhador quem mais ordena, mas os accionistas. Claro que estes e as empresas cotadas nas bolsas contam com o alheamento de quem trabalha relativamente a estas coisas (que, aparentemente apenas, nada lhes dizem respeito) para continuarem a dizer que não podem pagar mais, caso contrário deslocalizam. Só que não deslocalizam por não poderem pagar mais, fazem-no por não quererem ter menos lucros.

Nesse artigo do “Le Monde” também se diz que a produtividade nunca foi tão alta. Ou seja, nós os tipos que fazemos carros, salsichas e flocos de chocolate nunca fizemos tanto e tão bem. Só que isso não se reflecte no nosso salário… reflecte-se nos lucros deles, na imagem deles e, em última análise, na necessidade deles cortarem nos nossos salários para ganharem nos lucros. BARDAMERDA! É para isto que serve a Economia? É para isto que servem os governos? Foi para isto que muitos pensaram, lutaram, mataram e morreram durante os últimos duzentos anos? Para que em vez do bem-estar da maioria se pensasse nos interesses de uns poucos?

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Será ilegal fumar?

Um destes dias, sob alguma chuva, cheguei ao portão do meu local de trabalho e reparei nuns desgraçados que estavam à chuva a fumar. Um sem guarda-chuva, outro com a protecção de capuz. De repente, pareceram-me uns proscritos, uns fora da lei envergonhados. Por brincadeira perguntei-lhes se era proibido fumar e entrei – mas trouxe a pergunta comigo.

É que eu estou COMPLETAMENTE DE ACORDO com esta coisa de não se poder fumar em lugares fechados, eu não fumo, desagrada-me e incomoda-me o cheiro do tabaco e podem contar-se pelos dedos de uma mão as vezes em que um fumador me perguntou se o fumo do seu cigarro me incomodava. Com o que eu não estou de acordo é que os locais fechados, nomeadamente aqueles em que trabalham fumadores obrigados a horas infindas de clausura, não sejam obrigados a ter espaços específicos para os fumadores.

Isto é, afigura-se-me que esta lei não trata TODOS OS CIDADÃOS  da mesma maneira. Senão vejamos, os fumadores trabalham como os outros, têm filhos como os outros, andam de carro a poluir o ar como os outros (mas isto não dá tanto jeito combater, vá-se lá saber porquê…), vão às compras a lugares baratos e chiques como os outros, pagam impostos como os outros, perdão pagam MUITO  mais impostos do que os outros, contribuindo com uma substancial quantidade do seu vício para a riqueza do estado, ou seja, de todos nós.

Logo, que sentido faz que o estado, enquanto protege (e bem) os direitos dos não fumadores, não se obrigue também a proteger os DIREITOS DOS FUMADORES? Será ilegal fumar? Se for, até faz sentido que o estado se esteja a borrifar, mas que eu saiba ainda não é e os governantes vão usando o dinheiro dos fumadores (que bem que lhes sabe este dinheiro fácil!), ignorando os seus direitos.

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Boas notícias

França proíbe a cultura do milho transgénico!

(Via Pimenta Negra, um blogue imprescindível.)

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Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte.”

Poema de Natália Correia

Música e voz de José Mário Branco

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Uma coisa é proteger os fumadores passivos e outra, muito diferente, são os fundamentalismos esfumados e outra ainda esquecermo-nos convenientemente de outros tipos de fumo. A ler estes dois postes do Filipe no  Oeste Bravio (que se mantém há anos um dos meus blogues preferidos):

Tabaco 1

Tabaco 2

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Na tomada de posse como primeiro-ministro… pouco sério.

Hoje “José Sócrates não vai  propor referendo ao tratato de Lisboa”

Para provar que temos um povo melhor do que os políticos que o governam, só me contento com manifestações nacionais contra a mentira institucionalizada, caso contrário nunca mais perderei um cêntimo de vencimento a fazer greve pelos direitos de quem não a faz e nunca mais irei votar, porque de facto eu não me posso queixar da minha vida, queixo-me da vida dos outros que, apesar disso, votam nesta gentalha.

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