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Archive for Março, 2008

Ultimamente, tremo sempre que leio “alteração do paradigma” numa exposição de motivos. E apresso-me a ler a proposta de lei do Governo, comparando-a atentamente com o regime que se pretende rever, à procura de um decréscimo de garantias, de uma decadência da dignidade do cidadão, de um enfraquecimento da esfera jurídica individual face ao poder político – que sempre acabo por encontrar.

“Alteração de paradigma” é uma expressão em dialecto governamental que na presente realidade política quer dizer “Agora vou-te ao cu em grande estilo e tu estás caladinho” e que nos últimos tempos visa aproximar, em inúmeros campos, o estatuto dos trabalhadores do sector público ao estatuto dos trabalhadores do sector privado, não pelo que naquele havia de melhor, mas pelo que neste há de mais frágil – “aproximação ao regime laboral comum”, em dialecto governamental.

Os trabalhadores, enredados nas etiquetas de “trabalhadores públicos” e “trabalhadores privados”, convencem-se da certeza das suas diferenças, e em vez de compreenderem que são todos trabalhadores face ao Estado, que visa, só, encher o porquinho às suas custas. E funcionam pateticamente contra si mesmos e a favor do Estado quando se distraem das gravíssimas medidas legislativas recentemente tomadas e se concentram em disputas comezinhas.

Também em coisas simples como a arrumação dos actos do Estado publicados no Diário da República se assiste a uma alteração do paradigma. Numa altura em que se quer cada vez mais obrigatório e generalizado o conhecimento da vontade soberana através da consulta do Diário da República Electrónico, este começou a inverter a hierarquia das normas nos enunciados e a apresentar os actos legislativos depois das resoluções do conselho do ministros – prioridades, prioridades.

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Neste domingo procura uma árvore à tua medida e, com cuidado pelos dois, sobe-a e aproveita-a. Estejas no campo ou na cidade sobe mais alto! De lá “vê-se tudo às mil maravilhas”.
Vem partilhar uma tarde conosco e reflectir um pouco a nossa integração entre o cimento e os espaços verdes. Não vale reflectir no chão 🙂

Subamos, então, com jeitinho e amor. Sempre no último domingo de Março!

Vénia ao Pimenta Negra.

Ver também AQUI.

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A realização dos jogos olímpicos na China mostra bem o poderio económico e político que este país alcançou. A civilização ocidental dobra a espinha da Declaração Universal dos Direitos Humanos para agradar à mais estranha ditadura capitalista do mundo. Este é um sinal, ao qual se estivermos atentos podemos somar muitos mais, do retrocesso das preocupações sociais perante as económicas, a nível global, uma vez que os Direitos Humanos se têm paulatinamente transformado em mera figura de retórica de discursos de políticos em conferências internacionais disto e daquilo. Na prática a regra é “business as usual”.

Estão a passar uns documentários na RTP2 sobre a China (feitos por ocidentais e sobre este pormenor muito haveria a dizer…) muito, muito interessantes. Aí se dão exemplos da terrível voragem do dinheiro e da política na sua intimidade mais promíscua, situação perante a qual o destino do indivíduo que discorda do que lhe impõem é so um: soçobrar.  

Retomando o teu poste, Tempestade, como sairão o Tibete e os tibetanos de tudo isto? Espero que mais senhores do seu destino, mas não duvido de que para isso seja necessária toda a pressão internacional possível.

 Eu, gota de água, boicoto desde já os Jogos Olímpicos da China pelo modo como este colosso económico sucessivamente desrespeita os mais elementares Direitos Humanos e pelo receio de que estes Jogos mais não sejam do que a melhor maneira de branquear esta e outras questões igualmente graves.

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Quando há uns dias atrás escrevi sobre o que parecia abanar o frágil equilíbrio sino-tibetano, já seria de prever o que acontecia a seguir, lamentavelmente…

Sinceramente, se havia lugar que eu não gostava de ocupar neste momento , era o de presidente do Comité Olímpico Internacional. Será que o senhor já lhe teria ocorrido que ao escolher Pequim como cidade para os Jogos Olímpicos de 2008 estaria muito provavelmente a comprar um desconforto politico-social? Talvez não, ou então outras vozes falaram mais alto.

Num artigo de opinião publicado este fim de semana, é lançada a pergunta porque é que afinal protestam os tibetanos?

Creio que não há país nenhum no mundo que deseje ver as suas condições de vida melhorar substancial e tão rapidamente quanto possivel. Ver a qualidade de vida melhorar, ao mesmo tempo que a taxa de mortalidade infantil diminui? Ver crescer o numero de escolas, hospitais, supermercados, e centros comerciais? Colocar o Tibete no mapa do mundo com ligações rodoviárias e ferroviárias que servem de cordão umbilical ao resto do mundo. De pobres nómadas, a sobreviver do que cabeças de gado lhes davam e a viver no limiar da condição humana em tendas, podem agora usufruir de boas casas, no cntro das cidades, com todas as condições de conforto, digno do século XXI. Mas afinal de que se queixam os tibetanos? Porque não se mostram satisfeitos e agradecidos com o que neste momento lhe é oferecido, coisas que nem os seus avos alguma vez sonharam poder dar?

A resposta está na identidade nacionalista, que a China por mais anos que mantenha o crescimento desmesurado social e económico naquela zona, poderá alguma vez oferecer, porque há coisas que não têm preço.

É aqui que reside a cegueira chinesa. A cegueira de potencias colonizadoras que não alcançam a ideia de que podem dar tudo, menos a liberdade.

 E como forma de mostrar que a questão tibetana é um assunto arrumado, a China dá regalias aos imigrantes han que se estabeleçam no território tibetano, através de benesses económicas, comerciais e sociais.

Aos tibetanos não é possivel ter em casa um imagem do seu Dalai Lama porque é contra o regime, e se o tentam só através de lagum turista. De igual modo para além do ensino básico, se um tibetano quiser progredir nos estudo, terá que ser sob o mandarim. Em troca de festas religiosas, os tibetanos agora veêm festivais chineses.

É irónico como se procura desta forma anular uma cultura milenar, baseada no convívio pacífico com as adversidade da natureza aos 4.900 mts de altitude, através da excelencia do conhecimento da mente como forma de atingir o Nirvana.

Mais uma vez recordo o cavaleiro que indo calmamente pela planície fora, sábiamente comenta com o seu fiel companheiro de viagem;

“La libertad, Sancho, es uno de los más preciosos dones que a los hombres dieron los cielos; con ella no pueden igualarse los tesoros que encierra la tierra ni el mar encubre; por la libertad, así como por la honra, se puede y debe aventurar la vida, y, por el contrario, el cautiverio es el mayor mal que puede venir a los hombres.”

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Canto de intervenção política, directamente de Rabo de Peixe, uma das zonas mais pobres da Europa.

Vénia ao Major Tom.

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Descubra as diferenças

Este vídeo (“The Clash of Civilizations”) da avaaz.org ganhou o prémio para o melhor vídeo sobre política do YouTube. É que a política é MUITO  mais que os partidos, somos todos nós.

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“Os biocombustíveis são hoje a única alternativa para o petróleo. Porém, temos que ter muito cuidado. O crescimento desenfreado na produção de biocombustíveis pode ter graves consequências sociais e ambientais como o aumento do preço de alimentos, o desmatamento e até mesmo o aumento nas emissões de carbono. Para evitar que isso aconteça, precisamos imediatamente de padrões de sustentabilidade para garantir que os biocombustíveis sejam uma solução e não um novo problema.

Para mandar uma mensagem ao senhor Sócrates sobre este assunto vão AQUI, à avaaz.org e digam-lhe que não estão a dormir. Não que ele queira saber, mas nós queremos dizer, certo? Eu já disse.

Este poste só foi possível porque li sobre o assunto no Cores da Terra. Digam lá que a net não é uma excelente maneira de sabermos o que nos querem esconder?

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