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Archive for the ‘Sublinhados’ Category

Obama? McCain?

Nenhum deles. Eu votaria no Ralph Nader.

QUEM??? Este aqui:

Porque será que ninguém ouve falar nele?…

Mais AQUI.

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“The masses are indifferent to individual freedom, liberty of speech; the masses love authority. They are still blinded by the arrogant glitter of power, they are offended by those who stand alone…”

Alexander Herzen

(via The Last Empire, Gore Vidal)

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Fotos da Toscânia

Grafiti na Via San Niccoló.

Grafiti na Via San Niccoló, Florença.

Uma imagem cheia de texto.

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Meus senhores:

Tomo a palavra por um dever de consciência e peço toda a vossa atenção, porque vou dizer coisas muito sérias. Penso que chegou a hora de definir posições, de tomar partido por ou contra, para que se extremem os campos e cada um de nós conheça o lugar que ocupa. É imperioso. É urgente. É inadiável. E espero firmemente que saiamos daqui mais seguros das nossas certezas e sabendo, de uma vez por todas, onde estão e quem são os nossos adversários.

Anda por aí, em inesperada revivescência, contrariando e minando os nossos esforços para a objectividade e a frieza, sem as quais nada de útil se pode construir, uma antiga doença que fez muito mal ao mundo em tempos passados. Falo do lirismo. Afirmo que é uma doutrina perniciosa. Perniciosos são os seus propagadores, sujeitos doentíssimos, intoxicados, verdadeiros focos ambulantes de infecção. Chamam-se a si próprios poetas. É também esse o nome que lhes damos, mas, felizmente, nós conseguimos, por um disciplinado trabalho das cordas vocais, ajudado por uma certa expressão do rosto, transformar essa palavra em injúria. Que eles merecem, diga-se de passagem.

Torno a pedir a vossa atenção. Não gosto de vos ver distraídos, só porque o sol está realmente bonito e anda ali um pombo a esvoaçar. Os pombos, tenho-o dito muitas vezes, são mais nocivos do que se julga. Lá fora, isso foi reconhecido. Tomaram-se providências adequadas para salvaguarda dos monumentos e da saúde pública.

Mas volto aos poetas, agora que o contínuo desta sociedade já fechou as janelas. Os poetas deviam ser eliminados, pura e simplesmente. Impõem-se atitudes drásticas, radicais, que não deixem pedra sobre pedra, quer dizer, verso sobre verso. Esta gente distribui papéis onde aparecem certas palavras que deveriam ser riscadas dos dicionários. Direi algumas, embora a minha formação espiritual se revolte contra a violência a que, por dever de objectividade, me obrigo. Amor, esperança, saudade, rosa, mar – eis algumas dessas palavras. Uma pequena amostra de um vocabulário decadente, inoportuno, direi mesmo subversivo. Como se isto não bastasse, os poetas (notaram a maneira como eu articulei a palavra?) tiram da sua maliciosa actividade uma não sei que insuportável arrogância, um desdém olímpico que nos faz estremecer de indignação. Alguns cobrem-se com uma capa de modéstia e de humildade que, à primeira vista, engana. São os piores. Com o seu ar de mansidão, que, dizem eles, lhes vem de um particular conhecimento do mundo, aliciam alguns dos nossos melhores elementos, pervertem-nos, desviam-nos das tarefas essenciais. Afirmam eles que também sabem alguma coisa de tarefas essenciais. Desconfiai, amigos. Entre nós e eles nada há de comum. O poeta é o nosso inimigo principal. Só quando conseguirmos arrancar esta lepra da face da terra poderemos viver em paz.

Sei que estou sendo escutado com atenção, que cada palavra que profiro reforça a nossa unidade, mas não posso deixar de notar uma certa (como direi?), uma certa flutuação na sala. Não posso compreender a atitude de alguns presentes que seguem com os olhos o fumo dos cigarros. Ou é distracção, ou perversão, ou nenhum respeito pelo conferencista. De qualquer modo, é lamentável. Também não sei que interesse encontram na garrafa da água. Por mim, não vejo nela mais do que uns efeitos de luz, refracções luminosas que qualquer manual de física elementar explica. E declaro que me está a irritar a cantoria dos pássaros (ou serão crianças?) que vem lá de fora. E esse senhor, ao fundo, que foi que lhe deu, para se pôr agora a sorrir? E o senhor, sim, o senhor, por que se levanta e vai abrir as janelas? Para que é este sol? E o verde dessas árvores? E por que não se calam as crianças? Ou serão pássaros?

Meus senhores, sinto-me profundamente desgostoso. A sessão está encerrada. Tenho dito.”

José Saramago, Deste Mundo e do Outro

Dedicado aos meus coleguinhas de blogue (a ao que está mal acompanhdo também.)

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Canto de intervenção política, directamente de Rabo de Peixe, uma das zonas mais pobres da Europa.

Vénia ao Major Tom.

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Música no ouvido

Estava ali a cortar a relva ao som de uma música que não me saía do ouvido: “em prisões baixas fui um tempo atado”.  Não me saía do ouvido nem da boca, tanto que a disse e redisse em altos brados para que os passaritos a apreciassem, e quanto mais o fiz mais o ritmo me se apossava do meu cérebro, finalmente em descanso (hoje dormi onze horas, recorde histórico no meu livro privado de recordes).

O compositor de tão maravilhosa melodia? Camões, quem mais? Há versos do rapaz com que às vezes me acontece isto – e não é só pelo sentido, é também (se calhar, sobretudo) pelo melodia que deles ressuma.

Por isso, para a exorcizar e para a partilhar, aqui a deixo, aconselhando uma leitura em voz alta e de pé, sentindo-a como se fosse mesmo uma música:

Em prisões baixas fui um tempo atado,
Vergonhoso castigo de meus erros;
Inda agora arrojando levo os ferros
Que a Morte, a meu pesar, tem já quebrado.

Sacrifiquei a vida a meu cuidado,
Que Amor não quer cordeiros nem bezerros;
Vi mágoas, vi misérias, vi desterros:
Parece-me que estava assi ordenado.

Contentei-me com pouco, conhecendo
Que era o contentamento vergonhoso,
Só por ver que cousa era viver ledo.

Mas minha estrela, que eu já agora entendo,
A Morte cega e o Caso duvidoso,
Me fizeram de gostos haver medo.

Luís Vaz de Camões

(Eu sei que este poste está assim a modos que ao lado de tudo o resto, mas deve ser da Primavera, não mo levem a mal.)

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Negras tormentas agitan los aires,

nubes oscuras nos impiden ver;

aunque nos espere el dolor y la muerte,

contra el enemigo nos llama el deber.

El bien más preciado es la libertad,

hay que defenderla con fe y valor.

Alza la bandera revolucionaria

que del triunfo sin cesar nos lleva en pos.

Alza la bandera revolucionaria

que del triunfo sin cesar nos lleva en pos.

En pie pueblo obrero, ¡a la batalla!

hay que derrocar a la reacción.

¡A las barricadas, a las barricadas,

por el triunfo de la Confederación!

¡A las barricadas, a las barricadas,

por el triunfo de la Confederación!

Post-Scriptum: E agora vou procurar uma para o Ministro da Administração Interna, aquele das polícias a averiguar manifs… Aceitam-se sugestões. Entretanto, só para ele, sublinho estes versos: o bem mais precioso é a liberdade.

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