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Espectáculo

 

“O segundo touro, Belmonte recebeu-o estático, a meio da praça, nos médios, depois de o ter observado a investir sobre as capas dos espadas da sua quadrilha. Vinha forte e carregado de vida. Vinha desembalado, com uma fúria que nada parecia capaz de travar. Mas ele não se mexeu quando o touro investiu pela primeira vez para a sua verónica. Por cima do ombro, viu-o seguir em frente com o balanço que levava e, então, rodou lentamente sobre os calcanhares, sem sair da mesma posição e voltou a citá-lo. Deixou que ele invadisse os seus terrenos, deixou que o seu corno lhe passasse a centímetros do corpo, sempre sem se mexer, e voltou a fazer o mesmo, por largas, meias verónicas e chicuelinas, até que ele percebesse quem mandava ali, no meio da praça. Depois, retirou-se para as tábuas, ficando a assistir à sorte de bandarilhas. Quando o touro ficou sozinho no centro da praça, castigado mas altivo, Juan Belmonte afastou-se das tábuas, deu uns passos em frente e, com um gesto circular da mão, dedicou o terceiro tércio, que se iria seguir, a toda a assistência. A multidão levantou-se para aplaudir e ainda estava de pé quando ele iniciou o “tércio da morte” e do capote, recebendo o touro com um natural sublime de calma junto às tábuas. E por aí se quedou longo tempo, alternando naturais com derechazos e depois com trin-cheras, da direita para a esquerda. No fim, matou recibiendo, com a mão direita segurando a espada, encostada ao peito e o touro carregando sobre si. A Maestranza levantou-se inteira a um só tempo e os gritos estalaram: “Belmonte, Belmonte!”

 

Não se trata de desprezo algum pela vida animal. Eu não o vejo desse modo. É um espectáculo que também agita pessoas, não de forma divertida, mas por respeito entre dois animais que se defrontam em faena, de forma igual. 

Não tenho intenção de ferir qualquer susceptibilidade, nem mostar mediatismo barato. Apenas estou a aproveitar este espaço para dar também largas ao meu gosto pelo espéctáculo.

Porque não é só futebol espectáculo. Talvez até com mais respeito se consiga aceitar as regras desta luta.

Alguém, por certo o Tempestade, acrescentou à lista de blogues nossos amiguinhos um chamado “O Diário da Ana”. Fui ver o que era e descobri três coisas: que eu conheço a Ana de outros carnavais , que gosto do blogue dela e que, PASMEM-SE!,  os detergentes da roupa podem muito bem ser abolutamente inúteis! Aqui e aqui.

Ora digam lá se isto não é absolutamente extraordinário? Se for verdade, que outras coisas tomaremos como certas, sendo apenas, afinal, gestos dispensáveis cuja única justificação é a… repetição por imitação?

Estou MESMO espantada!!!

Há uns tempos que andava aqui a bater-me na consciência a vontade de falar em voz alta sobre o conceito de microcrédito.

Em 1976 houve um um certo economista do Bangladesh que acreditou que a PALAVRA pode ainda ser uma boa base de confiança, ao ponto se servir de garantia … para emprestar dinheiro. Porque é que o pobre não pode ter acesso a condições de financiamento e assim poder empreender projectos? Porque é que o pobre não pode mostrar as suas habilidades profissionais? Porque é que o pobre não pode ter possbilidades como outra pessoa qualquer para se valorizar?

São estes os pilares do denominado microcrédito instituido pelo Dr. Muhammad Yunnus em parceria com o Grammen Bank.

Promover a riqueza da civilização, permitindo que qualquer pessoa possa potenciar as suas qualidades artísticas e profissionais, sempre numa óptica de combate à pobreza no mundo.

Genial!

Promover o crédito numa óptica dos direitos humanos.

 

“Uma decisão destas é fracturante da tradição apostólica presente em todas as igrejas no primeiro milénio e só vem aumentar os obstáculos à reconciliação entre a igreja católica e a igreja de Inglaterra”, disse o Vaticano.

Segundo a igreja católica, as mulheres não podem ser ordenadas porque Cristo só escolheu homens como apóstolos. Qualquer tentativa de ordenar uma mulher como padre é punida com a excomunhão. Mas a ordenação de mulheres como padres já é uma realidade em Inglaterra desde 1992, onde um em cada seis padres já é mulher. O que os mais liberais pediam era o acesso das mulheres às hierarquias de topo. No Canadá, EUA e Nova Zelândia as mulheres já podem ser ordenadas bispos.”

O Vaticano (espero que não os católicos) parece querer ficar a falar sozinho… Onde é que o primeiro milénio já vai, meus senhores! E a tradição da Inquisição? Arrolar a tradição para defender os touros de morte já me parecia uma estupidez incomensurável, agora ir buscar esta de que mulheres não, porque não há tradição… E que isso vai impedir o diálogo - então Cristo não falava com toda a gente: mulheres, crianças, fariseus, prostitutas e até com ricos? 

Ah, e também não querem padres “gay”, diz o jornal. Então afinal como é?  Se não querem mulheres, porque Cristo só escolheu homens como apóstolos, qual é o problema dos “gays” que são homens? Já agora, qual é o evangelho onde se diz que os apóstolos eram celibatários? É que também deve ser com base nele que não querem que os padres casem. Preferem a hipocrisia, a mentira, pois claro. Meus senhores, a mentira não é pecado?

Voltando ao diálogo interrompido, aposto que os anglicanos devem estar aborrecidíssimos por o papa não querer falar com eles. Aposto que, antes de tomarem este tipo de decisões, se reúnem em concílio receoso e dizem: que será de nós? O Vaticano vai deixar de nos falar…  Mas qual o interesse dos anglicanos em falar com os guardadores de dogmas católicos? Nenhum. Preferem dialogar com as pessoas comuns que precisam da igreja nas suas vidas,  decidem pela sua cabeça, que é coisa que o santo Vaticano nunca apreciou muito, diga-se de passagem.

Bem, o que vale à igreja católica  é que os católicos não são o Vaticano, mas a inversa também é verdadeira. E cheira-me que quem fica a perder nesta história é o Vaticano. Digo eu, que sou ateia e só vim ver a bola.

Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio;
O mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando;
Numa hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar uma hora.

Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.

Luís de Camões

(Poema para o Tempestade.)

Introito

Lembrei-me de Cervantes, porque é contemporâneo ao período de maior apogeu económico e social de Espanha. Após puxar um bocado pela memória e apesar de ter tido alguma dificuldade em termos de consciência, achei que podiamos igualar aquele senhor ao nosso Luis de Camões, que também, verdade seja dita, foi um marco no periodo de maior pujança lusitano.  Não obstante eu opine por outros escritores que melhor souberam retratar a nossa alma desde o primórdio da nossa pátria.

(Moinhos de vento em Consuegra)

(foz do rio Sado com a Serra da Arrábida)

 

Só esta minha opinião, decerto tem cento e cem apoiantes, como outros tanto do contra.

E eu até nem sou grande aficionado de Camões.

Mas estou a desviar-me do que queria aqui comentar. E de facto é aquilo que hoje encontramos no país nosso vizinho, ou como gostam alguns portugueses de chamar, o país de “nuestros hermanos”.

Não sou pró-ibérico, nem sequer tenho intenção alguma vez de colocar em causa a nossa integridade lusitana. Porquê? Porque gosto de ser português.

Mas depois do que vi no último europeu de futebol serviu de mote para escrever qualquer coisa sobre o que nos distingue neste momento do espírito espanhol. E aí sim, sinto que nos estamos a  distanciar, não é pelos pontos que perdemos a correr atrás de uma bola de futebol, ou o tempo perdido à frente do ecrã, mas sim uma certa convicção que move aquela gente à procura de uma identidade de excelência “nacionalista”, que eu não encontro em nós. Quando digo nacionalista, não quero que seja entendido numa óptica política, mas sim de amor próprio a sua história, raízes como país, como sociedade. E digo-vos, olhando para o que era Espanha há uns anos atrás, quando atravessávamos a fronteira para ir comprar caramelos, mudou muito e em muita coisa. Acho que posso dizer isso - creio que não passa um único mês que não atravesse a fronteira até ao outro lado, nem que seja para ir passear um bocado e regressar.

Sinceramente, não gosto de espanhóis e no entanto uma das minhas tias preferidas é… espanhola, mais propriamente basca e é uma delícia de uma tia!

Mas a Espanha não é só feita de espanhóis matranbuzios e grosseiros, mas sim é feita de histórias de fim de ruas todas coloridas de sardinheiras penduradas nas varandas e marquises, com toldos que cobrem da canícula. De igrejas que só de olhar para os tectos até nos dá falta de ar, ou uma vertigem. De castelos de onde partiram para a reconquista Euricos presbíteros, pendurados em colinas altaneiras ainda lá imponentes, quão guardiões de um passado já longínquo.

É feita de homens e mulheres que saidos das “oficinas” se encontram na “plaza mayor” para tomar um copo de manzanilla no meio de balbúrdia estridente de conversas cruzadas. De fiestas e “férias” onde não podiam faltar touradas, com o seu brilho próprio de excitação, o cheiro a calor humano e ânsia de ver a “faena”.

Mulheres de meia idade, de olhos escuros ainda de dinastias almorávidas, pintadas e vestidas como se cada tarde fosse uma celebração na rua.

Isto é apenas um flash social daquele povo que tem sabido impor a sua personalidade enquanto país que não quer ficar no esquecimento.

Mas não é só deste retrato que a Espanha amadurece. Portugal tem necessidade da estabilidade económica deste país. Enquanto se mantiver aqueles crescimento, que permite ao Sr. Zapatero falar em superavit financeiro, nós aqui conseguimos viver criticando as orientações económico-financeiras que o nosso governo vai fazendo enquanto operações de cosmética, porque daquele lado vêm bons ventos. O pior é quando esse ventos sopram do lado contrário e deixamos de sentir o empurrão da estabilidade espanhola que nos tem levado tantas empresas a mandar para o lado de lá gente que só procura ganhar dinheiro com trabalho, não interessa se esse está a mais de mil quilómetros de Portugal. “Ali dá para ganhar dinheiro”, dizem eles. E dá, ou melhor até há cerca de um ano atrás dava, quando o investimento privado ainda sentia um puxão enorme com as reformas políticas ainda resultantes da explosão de exportações, e deficit imobiliário (motores daquela economia), associados a um reajuste da mão de obra na industria depois de uma década de crise no emprego.

È neste sentido de cumprimento de dever. De querer ficar no pelotão da frente dos países desenvolvidos que a Espanha tem procurado a excelência e manter o espírito do apogeu que viveu com a descoberta das Américas. É aqui que se percebe que a Espanha amadureceu e já não quer ser vista como o país do generalíssimo que a arrastou para uma guerra, como todas as guerras, sem sentido.

E Portugal que faz? Festeja a festa espanhola? Continua a atravessar a fronteira para ir comprar caramelos, ou meter gasolina mais barata?

O que é que nos falta para crescer em excelência, como país, que pretende manter uma identidade lusitana?

Acho que deviamos tirar algumas conclusões deste Europeu, para além de uma bola chutada por um grupo de rapazes mimados e novo ricos, que nos iludem continuamente e nos fazem manter areia nos olhos.

Não gosto de Camões, mas gosto de Pessoa,  de Eugénio de Andrade, de Sophia de Mello Breyner, de Florbela Espanca, de Natália Correia, não pelo que eles escreveram, mas pelo legado adulto e patriótico que nos deixaram.

Voluntariado ambiental

Não tens nada que fazer aos sábados?

Queres sentir-te como o D. Quixote contra os moinhos?

Então clica aqui e faz companhia à QUERCUS na recuperação ecológica do Cabeço Santo, em Águeda.

Demasiado. Ver aqui:

http://100diasdebicicletaemlisboaapoio.blogspot.com/2008/02/quanto-custa-ter-e-usar-o-meu-automvel.html

Ai, se eu pudesse prescindir do automóvel para ir trabalhar, mas deram cabo do Vouguinha….

Houve alguém que cedo percebeu por onde a civilização navegaria quando serenassem as águas depois do holocausto.

 

Já se ouve pessoas que entendem que “o holocausto foi um mito”.

Procurando evitar qualquer sentimento de mesquinez, masoquismo, ou sadismo, é imperativo que nunca nos esqueçamos do passado que deixámos na história.

Ainda recentemente, no Reino Unido foi retirado dos currículos escolares o assunto do holocausto porque “ofendia” a população mulçumana que afirma que o holocausto nunca aconteceu…

 

Recordo o que Hanna Arendt dizia,

“A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade  por ele”

 

 

 

O Bolhão é nosso!

Obrigada ao Vénus :)

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